Take OneSó o sexo interessa.
De que é que vale investir em relações, abrir o coração, descobrir mundos interiores, se todas estão condenadas à partida? Se todas terminam da mesma maneia, produzindo os mesmos efeitos?
È mesmo assim tão importante encontrarmos a TAL pessoa certa com que é suposto vivermos felizes para sempre, logo a seguir ás letras THE END aparecerem no céu mesmo atrás de nós? Não valerá mais a pena ter uns orgasmos valentes pelos motivos certos, com uma data de pessoas erradas?
Se tudo acaba, se tudo está condenado, nada tem significado para alem deste momento.
Take twoPor que é que reagimos tão mal ao amor?
Se eu insultar, odiar ou bater em alguém obtenho quase de certeza uma resposta do mesmo género. A outra pessoa também é agressiva comigo, também me bate e acabará por me odiar. È uma reacção do mesmo género e tipo, até talvez de uma intensidade maior.
No entanto… Se disser a alguém que a amo, raramente a resposta é ao mesmo nível. Porquê?
Porque é que conseguimos ter uma resposta imediata e adequada à agressividade, mas não temos uma resposta igualmente adequada à afectividade?
Porque é que se eu disser a alguém que é um filho da puta e cabrão de merda me arrisco a receber um murro no nariz, mas se disser a essa mesma pessoa que estou apaixonado por ela e que a amo, nunca recebo um beijo ou um sorriso, mas antes uma cara de “tirem-me desta cena!”
Take ThreePorque é que eu, para ter sexo ou ser amado, eventualmente pelas pessoas erradas e sem motivos certos, tenho de fazer de filho da puta e cabrão de merda? Porque é que pessoas aparentemente racionais e equilibradas, que se conhecem e sabem o que fazem, continuam atrás dum cabrão de merda, ou de uma puta sem alma, que as vai usar como uma aranha usa uma mosca, sabendo (porque não é a primeira vez…) que vão acabar ocas, inertes e deitadas fora?
E porque é que continuam a fazer isso? Parece que não têm o mínimo controle sobre os seus sentimentos…
Ou sou só eu que consigo decidir o que quero sentir?
Take Four
O que é o amor?
Existe mesmo ou é uma coisa que nós julgamos que existe? É algo de físico, determinável, palpável, imediatamente reconhecível (como o medo, por exemplo…) ou é uma ideia que todos julgamos partilhar, mas que no fundo é diferente para cada um?
E porque é que essa ideia é assim tão importante para nós? Porque é que é tão importante sentir-nos amados? Como é que eu posso saber que sou amado? Alguma vez tenho a certeza absoluta? Existem certezas?
Para mim existe uma coisa (eventualmente um eléctrico…) chamada desejo que desde que seja gira, tenha um bom corpo e uma atitude interessante, marcha!
Depois existe outra coisa que tem mais a ver com a personalidade, com a maneira de ser, com a generosidade emocional para comigo que pode dar em amor quando acho que aquela pessoa é diferente de todas, que a nossa relação é especial e quando existe desejo também.
Mas muito sinceramente não sinto o amor como aquelas coisas de se morrer por ele, como gostavam os românticos.
Sei que se não o sentir, não morro.
Parker Lewis actualizado